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Sondagem analisa as expectativas da indústria de pré-fabricados de concreto

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

O objetivo da pesquisa é traçar um perfil das empresas, obtendo números que permitam um melhor conhecimento do segmento

Pelo terceiro ano consecutivo, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) realiza, por encomenda da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), uma sondagem entre as associadas da entidade para verificar o desempenho e sondar as perspectivas da indústria de pré-fabricados de concreto no Brasil. O objetivo da pesquisa é traçar um perfil das empresas, obtendo números que permitam um melhor conhecimento do segmento, mas também apontar importantes indicações dos efeitos da conjuntura econômica e setorial sobre as empresas, contribuindo para a definição de ações estratégicas da entidade. A íntegra da sondagem está publicada no Anuário Abcic 2015, que inclui ainda outros temas relevantes como as atividades institucionais da entidade, as tendências internacionais e cases de aplicação das estruturas pré-fabricadas.

Na sondagem deste ano, cuja coleta de dados foi realizada entre julho e setembro de 2015, as empresas reportaram uma piora em seu desempenho, com redução dos planos de investimentos. Vale lembrar que a sondagem realizada pela FGV junto aos associados da ABCIC em 2014 mostrou uma frustração com os resultados de 2013 e já havia indicado uma queda na intenção de investimento do empresário, resultado que foi associado pelas próprias empresas ao ambiente macroeconômico e à queda na demanda.

De fato, os números apurados em 2015 revelaram que houve diminuição na produção e no número de empregados do conjunto de empresas pesquisadas, repercutindo negativamente na decisão de investir. Na verdade, a queda nos investimentos mostrou-se ainda mais severa que a anunciada no final de 2014. Indiscutivelmente, as empresas de pré-fabricados sofreram o impacto da retração da atividade do principal elo da cadeia e demandante de seus produtos: o setor da construção.

EMPREGO E PRODUÇÃO - No que diz respeito ao total de empregos gerados pelas indústrias de pré-fabricados, a sondagem da FGV constatou que, em dezembro de 2014, as associadas da Abcic registravam um total de 11.295 funcionários, o que representou 1,3% do contingente de trabalhadores da indústria de material e equipamentos e 8,8% do segmento de fabricação de artefatos de concreto. Na comparação com 2013, a redução no estoque de trabalhadores das empresas foi de 6,39%, ficando acima da média da indústria de materiais, que apresentou queda de 2,39% no mesmo período.

A produção de pré-fabricados no ano de 2014, que alcançou a marca de 1.035.628 m3, também encolheu (-3,2%) na comparação com o ano anterior. A produção média foi de 25.891 m3 por empresa. Em 2014, de acordo com o IBGE, a produção de materiais de construção registrou declínio de 5,9%. O desempenho menos negativo da indústria de pré-fabricado se deve à grande diversidade de atuação do segmento, além da garantia de agilidade e qualidade, características inerentes ao segmento das estruturas pré-fabricadas.

A capacidade de produção instalada das empresas de pré-fabricados de concreto teve recuo de 2,6%, passando de 1,678 milhão de m3, em 2013, para 1.635 milhão de m3 no ano passado. Em relação ao declínio, a sondagem faz uma observação, ao notar que as espessuras de lajes e secções de vigas variam de acordo com o projeto, a modularidade estabelecida e a tecnologia empregada. Por isso, é possível ser observada uma diminuição ou um aumento no volume de concreto utilizando os mesmos recursos, o que dificulta o estabelecimento de uma correlação direta entre o volume produzido e a capacidade instalada do segmento.

No que diz respeito ao porte por empregados, predominam as empresas de tamanho médio: 29% das indústrias de pré-fabricados possuíam até 100 empregados, 61% registravam entre 101 a 500 trabalhadores, e 10% contavam com mais de 500 empregados. Em relação à produção, houve aumento nas duas pontas: o percentual de empresas com produção de até 10 mil m3 passou de 39%, em 2013, para 41% no fim de 2014, e o percentual com produção superior a 100,1 mil m3 alcançou 7,7%.

APORTE TECNOLÓGICO - O levantamento realizado pela FGV também constatou que, em 2014, as empresas de pré-fabricados consumiram 379,3 mil toneladas de cimento e 131,2 mil toneladas de aço. Pelo segundo ano consecutivo, o consumo de cimento caiu (– 10,7%), enquanto o consumo de aço registrou crescimento de 12,6%. Como a produção total de pré-fabricados se reduziu, esse movimento indica mudança tecnológica ou de perfil da produção favorecendo a demanda de aço. Prevaleceu a mudança tecnológica. De fato, em relação ao ano de 2013, a produção de concreto armado, que utiliza mais aço, aumentou, passando de 40,5% para 44,9%. De todo modo, pode-se notar que o concreto protendido continua a representar a maior parcela da produção.

Na comparação com 2013, cresceram as sinalizações de uso do concreto auto-adensável – passou de 58,1% para 66,7%. No que diz respeito à plataforma BIM (Building Information Modeling), em 2014 observou-se uma mudança marcante em relação ao ano anterior: o percentual de empresas que não conhece a ferramenta caiu de 20,9% para 4,9%. Vale destacar também o aumento das sinalizações das empresas que conhecem e já implantaram ou que pretendem fazê-lo nos próximos dois anos, que passou de 43,5% para 63,4%.

Em 2014 o percentual de empresas que indicou produzir exclusivamente o concreto protendido retrocedeu para 9,4%. Em 2011, nenhuma empresa assinalou produzir apenas esse tipo de concreto, percentual que chegou a 8% em 2012 e passou para 11,8% em 2013. Por sua vez, o percentual de empresas com produção integral dedicada ao concreto armado continua se reduzindo a cada ano: era de 26% em 2011, passou para 22% em 2012, para 20% em 2013 e 18,4% em 2014. Por outro lado, vale notar que a ampla maioria das empresas, 82,9% não produz estrutura metálica. Em 2013, esse percentual era de 77%.

RANKING DIVERSIFICADO DE OBRAS - Em relação à demanda, em 2015 shoppings e indústrias se mantiveram como os principais destinos das vendas do setor - os shoppings aumentaram sua participação, passando de 20,3% no ano passado para 30,1%. O segmento de infraestrutura, que vinha crescendo, voltou a cair várias posições e em 2015 representou apenas 8,4% da demanda das indústrias de pré-fabricados – em 2014, essa participação alcançou 14,3%. A área de varejo ganhou várias posições e se colocou em terceiro lugar, com 11,9%, atrás de shopping e indústrias. Na sequência, vem centros de distribuição e logística, com 10,9% de participação. Por sua vez, o segmento habitacional se manteve com a menor participação (5,3%).

Assim como nos dois anos anteriores, a sondagem incluiu perguntas relacionadas aos investimentos realizados pelas empresas no ano corrente (2015) e à intenção de investir em 2016. Dessa vez, foram introduzidas questões para captar a percepção das empresas em relação ao desempenho da produção em 2015, assim como as expectativas em relação a 2016. A percepção dominante é de que houve queda em 2015: 30% das empresas indicaram redução na produção, enquanto para 12,5% houve aumento.

Com a queda na produção, os planos de investimentos se alteraram. De fato, houve uma mudança significativa na comparação com as intenções indicadas na pesquisa realizada em 2014. O mesmo percentual de empresas apontou elevação e redução dos investimentos em capital fixo, portanto, o saldo foi zero, o que significa que não deve ter ocorrido aumento dos investimentos para o conjunto das empresas em 2015. Na pesquisa realizada no ano anterior, mais empresas apontavam intenção de elevar seus investimentos, resultando em uma diferença positiva de 15,5 pontos percentuais.

Essa deterioração foi generalizada entre os diversos setores da economia, tendo atingindo mais fortemente a indústria de transformação. A sondagem da FGV realizada no 3º trimestre de 2015 apontou que um maior número de empresas indicou ter diminuído seus investimentos nos últimos 12 meses – saldo negativo foi 11 pontos percentuais. Entre as empresas da indústria de materiais de construção pesquisadas essa diferença foi ainda maior, de 20 pontos percentuais.

Os investimentos das empresas de pré-fabricados foram realizados principalmente na aquisição de equipamentos para produção (58,3%), seguidos pela ampliação da área de produção (38,9%), ampliação da área de estocagem (33,3%) e ampliação de galpões e obras civis (30,6%). As empresas atribuíram as dificuldades de investir principalmente às incertezas da política econômica, mas também teve destaque o baixo patamar da atividade da construção e, portanto, da demanda por produtos do setor.

A despeito dessas incertezas, um maior número de empresas de pré-fabricados ainda espera aumento da produção em 2016. A diferença entre as que esperam aumentar ou aumentar muito e as que acreditam que a produção vai cair ou cair muito é positiva, embora pequena – de 5 pontos percentuais.

No entanto, no que diz respeito aos investimentos, um maior número assinalou intenção de reduzi-los em 2016: diferença de – 17,5 pontos percentuais. Na sondagem da indústria transformação realizada em outubro, a intenção de reduzir os investimentos nos próximos 12 meses superou a de elevar em 14 p.p. Na indústria de materiais, a diferença foi 13 p.p em favor das empresas que reduziram seus investimentos.

Fonte: Abcic
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