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Setor de materiais de construção deve fechar 2014 com queda de 3%

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

A piora se deve, principalmente, ao arrefecimento do varejo, aliado ao desempenho pífio dos segmentos imobiliário e de infraestrutura

16 de outubro de 2014 - A indústria de material de construção revisou suas projeções para 2014 e agora espera amargar queda de até 3%. A piora se deve, principalmente, ao arrefecimento do varejo, aliado ao desempenho pífio dos segmentos imobiliário e de infraestrutura.

"O ano foi prejudicado por vendas menores no primeiro semestre e a Copa acabou sendo um desastre para o setor. Será difícil reverter a queda em 2014", afirmou ao DCI o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Material de Construção (Abramat), Walter Cover.

A entidade projetava expansão de 4% para o setor neste ano. No entanto, diante do cenário, revisou a estimativa e a indústria deverá registrar um crescimento próximo de zero nas vendas para o varejo (que representam metade da demanda dos fabricantes) e queda de até 5% para imobiliário e infraestrutura.

"Estes dois segmentos tiveram o pior desempenho porque houve uma drástica redução dos lançamentos e dos aportes, tanto públicos quanto privados. O pessimismo tomou conta do mercado", destacou Cover.

Segundo o executivo, apesar do emprego e da renda terem se mantido estáveis, a alta dos juros e a postura mais conservadora dos bancos impactaram bastante o varejo. "O setor depende muito de crédito para crescer", disse.

A indústria é dividida entre materiais de acabamento (revestimentos, por exemplo) e base (aço, cimento). Este último teve o pior desempenho. "O aço teve um impacto bastante negativo no setor. Este ano, os materiais de base terão uma queda de cerca de 5%", acrescentou o dirigente.

Para driblar a crise e fechar o ano com crescimento, algumas empresas mudaram seu foco. Caso da fabricante paulista de revestimentos Lanzi. "Deixamos de fabricar produtos com menor valor agregado para ganhar em receita", afirma o diretor financeiro, Josselei Delfini.

A empresa - que está incrementando a produção de porcelanato esmaltado - teve alta de 22% do faturamento em 2013, e para este ano deve crescer 12%. "O aumento dos custos vem esmagando os fabricantes, mas somos otimistas. O brasileiro está dando mais atenção à sua casa. Devemos crescer ao menos 15% ao ano", destaca o executivo.

Para a Meber, fabricante de metais sanitários e utilitários, este foi um ano difícil. "O comprometimento da renda das famílias foi um obstáculo para o consumo. As incertezas da economia também contribuem para um cenário mais difícil", afirma o diretor da companhia, Carlos Bertuol.

Com foco em todas as faixas de renda, a empresa gaúcha projeta faturamento de R$ 75 milhões em 2014, alta de 5% em relação ao ano passado.

"Esperávamos crescer 10%, mas o ano foi muito fraco", acrescenta. Ele explica que a Meber está se preparando para enfrentar 2015, que também deve vir desafiador. "Acabamos de investir para aumentar em 60% nossa capacidade de produção", pondera.

Na contramão

A fabricante de bombas Grundfos teve uma trajetória inversa à maioria das empresas do setor. Boa parte da sua demanda vem de obras públicas, que acabaram em desaceleração por conta das eleições.

"Até julho, os negócios foram bem, mas depois disso foram adiados", afirma o diretor-geral, Sandro Sandanelli.

No ano passado, a Grundfos cresceu 37% e, para 2014, a expectativa é de uma expansão entre 10% e 15%. "Tínhamos projetado um crescimento de 24% para o ano. A maior queda veio de obras de infraestrutura", destaca o executivo.

Uma das saídas encontradas pela Grundfos será concentrar parte dos esforços no segmento residencial. "O mercado imobiliário tem compensado a queda em infraestrutura", afirma Sandanelli.

Fonte: DCI
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