Relatório indica que perfuração levou à tragédia de Brumadinho
Texto: Redação AECweb/e-Construmarket
Estudo financiado pela Vale — a pedido do MPF — e elaborado pela Universitat Politècnica de Catalunya aponta que o procedimento realizado no momento da ruptura foi o potencial gatilho da liquefação

O rompimento da barragem vitimou 270 pessoas no início de 2019 (Foto: Christyam de Lima/Shutterstock)
07/10/2021 | 11:32 – Estudo elaborado pela Universitat Politècnica de Catalunya, na Espanha, e financiado pela Vale indica que uma perfuração executada em um ponto crítico da barragem da Mina Córrego do Feijão tem relação com o rompimento que vitimou 270 pessoas no início de 2019, em Brumadinho. De acordo com o relatório final da pesquisa, divulgado pelo Ministério Público Federal (MPF) na última segunda-feira (4), o procedimento que estava em execução no momento da ruptura é o potencial gatilho para o fenômeno da liquefação.
“Sob condições de tensão e hidráulicas semelhantes às do fundo do furo B1-SM-13 durante a perfuração, as análises numéricas mostram que, usando o modelo constitutivo e os parâmetros adotados para os rejeitos, pode ocorrer a liquefação local devido à sobrepressão de água e sua propagação pela barragem”, detalha o documento, que aponta que “a maioria dos rejeitos da barragem eram fofos, contráteis, saturados e mal drenados e, portanto, altamente suscetíveis à liquefação”. A análise não identificou outros gatilhos para a liquefação.
O estudo da Universitat Politècnica de Catalunya foi elaborado a pedido do Ministério Público Federal e custeado pela Vale após acordo firmado entre a mineradora e o MPF. A instituição espanhola foi selecionada por conta de sua expertise e o trabalho aconteceu por meio de simulações e modelagens por computador. O relatório final tem mais de 500 páginas.
Para a Vale, o material reforça o entendimento de que não existiram indicativos prévios que apontassem para o colapso da estrutura.
"[O estudo] também atesta que teria havido uma conjugação particularmente desfavorável de circunstâncias no momento e no local em que se fazia a perfuração do 13º poço vertical por uma empresa especializada, operação essa que se destinava à instalação de equipamentos mais sofisticados para leitura do nível de água no interior da barragem e à coleta de amostras, sendo que, sem essa perfuração, a barragem, nas condições específicas em que se encontrava (inclusive paralisada há mais de dois anos), segundo as simulações matemáticas realizadas para um período de 100 anos, permaneceria estável", destaca a empresa.

