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Relatório indica que área do acidente em obra de SP era instável

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Um levantamento feito em 2012 já indicava problemas no solo próximo ao Rio Tietê

cratera em são paulo na linha 6 laranja do metrô
O relatório de 2012 apontava maior propensão a “problemas de recalque”, com fragilidade alta (Foto: Tiago Queiroz/ Reprodução Estadão)

04/02/2022 | 12:36 – A região do desmoronamento onde acontecem as obras da Linha 6-Laranja, em São Paulo, já foi alvo de alerta. Em 2012, um relatório de impacto ambiental apontou que o local, por estar na planície aluvial do Rio Tietê, teria maior propensão a “problemas de recalque” e fragilidade alta.

O levantamento foi feito em decorrência do início das obras da Linha 6-Laranja. Na época, a expectativa era que o metrô já estivesse em funcionamento no início de 2017. A área que demandava maior precaução é a do trecho entre as Estações Água Branca e Santa Marina, até pouco antes da Estação Freguesia do Ó.

A informação foi assinada pela Walm Engenharia e Tecnologia Ambiental e aprovada pelo Metrô, antes mesmo dos atrasos e da mudança de concessionária. Os técnicos aprovaram a construção, desde que houvesse monitoramento constante no chamado Aquífero Quaternário — o entorno do rio.

Diagnóstico

No detalhamento do diagnóstico, o entorno do rio é considerado como “muito frágil”. O nível de preocupação é alto no trecho norte e médio nas demais estações.

As áreas próximas ao Rio Tietê foram dadas como “sujeitas a inundações”, “propensas a recalques”, ou seja, rebaixamentos e afundamentos, e passíveis de danificar pavimentos, redes de infraestrutura ou edificações, visto que são diretamente afetadas pelas oscilações do lençol freático.

O solo nas proximidades foi descrito como mole, formado por sedimentos carregados pelos cursos d’água (solos aluviais). Ele é constituído de argila siltosa cinza e amarela, argila orgânica, areia siltosa e aterro (resultante das interferências urbanas no local, como a alteração no curso do leito).

Outra causa apontada pelo relatório foi a grande transformação no curso d’água, que foi retificado, canalizado, passou a receber uma grande quantidade de detritos e resíduos urbanos, os quais, além de tudo, alteraram a qualidade das águas e provocaram o assoreamento local.

Em suma, o documento alerta para a necessidade de monitoramento desses recalques e a utilização de técnicas mais incisivas nas escavações, além de apontar as possíveis consequências dessas atividades.

O diretor da concessionária atual, André De Angelo, afirmou que a obra continua nos demais pontos e não vai parar.

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