Polícia investigará se obra de mirante contribuiu para acidente em Capitólio
Texto: Redação AECweb/e-Construmarket
Delegado responsável pela apuração do caso considera prematuro vincular construção ao desabamento de rocha que provocou a morte de dez pessoas em Minas Gerais

O delegado responsável pela apuração do caso, Marcos Pimenta, da Delegacia Regional em Passos, considera prematuro vincular a obra ao acidente (Foto: Vinicius Bacarin/Shutterstock)
11/01/2022 | 15:36 – No último sábado (8), uma rocha se desprendeu dos cânions em Capitólio (MG) e atingiu embarcações que visitavam o local, provocando a morte de dez pessoas. Até agora, todos os fatos apontam para um desastre natural sem interferência externa, mas esse cenário pode mudar. A Polícia Civil de Minas Gerais anunciou que dará início às investigações acerca de uma obra em um mirante próximo ao acidente, para definir se existe algum tipo de correlação entre eles.
A hipótese foi levantada por pilotos de lancha, e denunciada em um áudio por um suposto engenheiro ambiental. Na gravação, o relato é sobre como a intervenção dessas obras no mirante, que fica na rocha envolvida no acidente, pode ter desestabilizado a região.
O delegado responsável pela apuração do caso, Marcos Pimenta, da Delegacia Regional em Passos, considera prematuro vincular a obra ao acidente. “Já estamos em contato com um geólogo que vai nos auxiliar nas respostas para as perguntas da imprensa. Em especial sobre a rocha, se uma obra no parque pode ter causado essa influência. Acredito que é prematuro, neste momento, outorgar a alguém essa responsabilidade", diz Pimenta.
O ex-coordenador do Meio Ambiente do município, Gleison Oliveira, que atuou entre os anos de 2013 e 2016, também deu sua declaração acerca das suspeitas. “Sempre fui contrário a essa obra, porque ela traria muito prejuízo ambiental. Não vou ser leviano em dizer que sabia que isso ia acontecer. Longe disso. Mas seria prejudicial à vegetação", afirmou. “Mas, pelo mínimo entendimento geológico que tenho, as obras que aconteceram no local e o maquinário usado podem ter causado algum efeito. A retirada da mata ciliar e o carreamento dessa água por veios não naturais pode ter ajudado a deslocar essa fenda”, ele conclui.
Alguns frequentadores do local contaram que, já há algum tempo, vêm observando as construções em cima do mirante – que não fica, necessariamente, no local que desabou, e sim em um lugar próximo. O dono da lancha que afundou, Jesus Sebastião, afirmou que, há mais de um ano, observa máquinas pesadas, perfurações intensas e implosões sobre os cânions.
O mirante faz parte de um projeto que prevê a construção de três parques até 2026, que incluem resort e restaurante. Partindo de um investimento de R$ 135 milhões, já foi inaugurada uma tirolesa no Parque Mirante dos Canyons, a qual precede a construção do complexo.

