Perspectivas sobre desempenho da construção seguem deteriorando
Texto: Redação AECweb/e-Construmarket
Empresários estão à espera de uma evolução mais favorável para os custos setoriais nos próximos meses
A perspectiva dos empresários da indústria da construção com relação ao desempenho das empresas piorou em fevereiro, mantendo a tendência observada ao longo de 2014, de acordo com a 62ª Sondagem Nacional da Indústria da Construção Civil, realizada pelo SindusCon-SP e pela FGV.
Segundo o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, “os empresários do setor se sentem reféns de uma política econômica mal sucedida, que resultou em crise econômica e política. Agora o governo precisa implementar um ajuste fiscal, porém deve fazê-lo cortando seus gastos e não prejudicando ainda mais as empresas, com o fim da desoneração”.
A percepção dos empresários com relação ao desempenho atual de suas construtoras recuou 5,9% em relação ao levantamento anterior, realizado em novembro, e 23,6% em 12 meses. Na comparação com igual período do ano anterior, a queda foi registrada em todos os componentes do indicador de desempenho, com destaque para o volume de negócios e número de empregados. Dados da pesquisa de emprego do SindusCon-SP/FGV indicam que no primeiro mês do ano houve retração nas contratações, configurando o primeiro resultado negativo de série histórica para um mês de janeiro.
A perspectiva de desempenho para os próximos meses os sinais de pessimismo são ainda mais claros, com queda de 10,4% na comparação com o levantamento anterior e de 26% em 12 meses. O sentimento geral entre os empresários é de que as dificuldades continuarão à frente, portanto, indicando que não há perspectiva de retomada nas contratações no curto prazo.
O único item em que as empresas apresentaram uma percepção positiva foi com relação aos custos setoriais (alta de 5% em 12 meses), sinalizando que os empresários esperam uma evolução mais favorável nos próximos meses. Sobre a condução da política econômica, as perspectivas apontaram alta de 41,7% e de 2,2%, respectivamente na comparação com novembro de 2014 e em 12 meses. Ao mesmo tempo, a perspectiva com relação ao crescimento econômico caiu 12,4% ante o levantamento anterior e 53,9% em 12 meses, enquanto a perspectiva de inflação reduzida apresentou queda de 39,1% e 20,5% nas mesmas bases de comparação.
O indicador de dificuldades financeiras permaneceu alto, em 60,5, e crescendo na comparação com o ano passado, indicando um crédito mais caro e mais difícil para as empresas da construção. É importante reforçar que a Sondagem aborda um horizonte temporal de apenas alguns meses à frente, com a expectativa de continuidade da redução da atividade setorial e da economia, alta de preços e restrição do crédito. Para um setor de ciclos longos, como o da construção, essas dificuldades irão repercutir em um horizonte temporal maior.

