Novo indicador vai medir variação do aluguel residencial em quatro capitais
Texto: Redação AECweb/e-Construmarket
Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), criado pela Fundação Getulio Vargas, preenche lacuna nas estatísticas nacionais nesse nicho do mercado imobiliário

O IVAR será calculado a partir de dados coletados dos contratos entre inquilinos e locatários, registrados e obtidos através de empresas administradoras de imóveis (Foto: Michael Dechev/Shutterstock)
11/01/2022 | 13:59 – A partir de hoje (11), o mercado imobiliário passará a mensurar a evolução dos preços dos aluguéis residenciais no Brasil através do IVAR, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais.
O novo índice foi criado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e será calculado a partir de dados coletados dos contratos entre inquilinos e locatários, registrados e obtidos através de empresas administradoras de imóveis, ao invés de “dados de anúncios” como base de cálculo. Serão considerados valores de contratos novos, reajustes de contratos já existentes e características de cada imóvel.
O intuito é mensurar esses números de forma fidedigna, visto que os valores locatícios do mercado imobiliário representam volatilidade conforme as negociações evoluem. As cidades contempladas, por enquanto, são Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Porto Alegre (RS) e Belo Horizonte (MG).
A FGV explica que o indicador refletirá de forma mais clara o cenário de oferta e demanda do mercado imobiliário de locação residencial, além de preencher uma lacuna nas estatísticas nacionais nesse nicho. Ele terá divulgação mensal, começando com os números referentes a dezembro de 2021, que já indicam elevação de 0,66% para o mês e queda de 0,61% em 12 meses.
“O setor imobiliário foi profundamente afetado pelos efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho. O desemprego elevado sustentou negociações entre inquilinos e proprietários que resultaram, em sua maioria, em queda ou manutenção dos valores dos aluguéis, contribuindo para o recuo da taxa anual do índice”, aponta Paulo Picchetti, pesquisador do FGV IBRE e responsável pela metodologia do IVAR.
Atualmente, o indicador mais utilizado para reajustes relacionados ao aluguel imobiliário é o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), mas os criadores do IVAR não acreditam em uma substituição do antigo índice pelo novo: “O IGP-M segue com seu propósito firme e forte. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre) sempre lança novos indicadores e esse dará mais visibilidade ao mercado. O uso dos nossos indicadores é escolha dos agentes econômicos”, afirma André Braz, coordenador do IPC da FGV/Ibre.
Apesar das opções, não é obrigatória a utilização de nenhum dos dois parâmetros ao fechar negócios do tipo. O índice utilizado nos reajustes de locação é determinado na própria elaboração do contrato que determinará as suas condições.
A novidade se mostrou ainda mais necessária após o período crítico de pandemia, de acordo com Picchetti. A crise sanitária afetou a economia com tanta força que, se antes o IGP-M costumava ficar na casa dos 7,30%, depois do Covid-19 esses números foram para 23,14% — o que impacta diretamente o mercado imobiliário. O tema é tão relevante que o próprio STF (Supremo Tribunal Federal) registrou processos que solicitavam a utilização do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no lugar do IGP-M, na tentativa de conseguir taxas mais baixas.

