Norma traz requisitos para concreto de até 90 Mpa
Texto: Redação AECweb/e-Construmarket
O procedimento para o projeto de Estruturas de Concreto são os chamados concretos de alta resistência
15 de julho de 2014 - A norma técnica Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento (NBR 6.118) passou a incluir requisitos necessários para o cálculo de estruturas com concretos de resistência entre 55 MPa e 90 MPa, os chamados concretos de alta resistência. A norma estabelece os requisitos básicos exigíveis para o projeto de estruturas de concreto simples, armado e protendido, excluídas aquelas em que se empregam concreto leve, pesado ou outros especiais.
Estes concretos de alto desempenho, comuns nas obras de grande porte do país, ainda não eram tratados na norma técnica brasileira – a NBR 6.118. Ela foi revisada e sua nova versão está em vigor desde 29 de maio.
Para Jorge Batlouni Neto, coordenador do CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade) do SindusCon-SP, a revisão avançou bastante nas questões técnicas e dá mais segurança às empresas no uso de concretos de maior resistência.
“Estes concretos já eram usados no Brasil, mas seus comportamentos diferem daqueles de resistência mais baixa, exigindo adaptações em várias formulações, que influenciam nos limites de segurança, sob os mais variados aspectos. Por isso, para abranger os concretos de alta resistência foi necessário revisar e revalidar praticamente o texto todo”, justifica a engenheira Suely Bacchereti Bueno, presidente da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), que coordenou a Comissão de Estudo responsável pelo trabalho de revisão da norma, no âmbito do Comitê da Construção Civil (CB-02) da ABNT. Ela trabalhou ao lado do engenheiro Alio Ernesto Kimura, secretário da comissão.
Pilares - O novo texto alterou também o valor da dimensão mínima dos pilares, de 12 cm para 14 cm, e incluiu uma nova exigência de cobrimento mínimo igual a 4,5 cm no trecho dos pilares embutidos no solo, região esta mais sujeita a falhas de execução e de difícil acesso para inspeção e identificação de patologias.
Foi dada ainda uma atenção especial para a segurança das lajes em balanço. Conforme explicam Suely e Kimura, as marquises têm sido causadoras de inúmeros acidentes por falta de cuidados de execução, manutenção e uso inadequado. Com o objetivo de minimizar as patologias e aumentar a durabilidade destas peças, dizem eles, foi alterado o requisito de dimensão mínima. Tanto no caso dos pilares esbeltos como das lajes em balanço existem ponderadores adicionais para o valor das ações.
Há ainda novidades em relação aos requisitos de durabilidade. A formulação da definição do valor do módulo de elasticidade do concreto foi revista e adequada aos valores que têm sido obtidos nos ensaios. Foi introduzida também a consideração do tipo de agregado.
Conformidade – Houve um enorme esforço na comissão para tentar melhorar o texto anterior sobre “Avaliação de Conformidade de Projeto”, cuja redação em vigor desde 2003 gerava dúvidas, uma vez que esta verificação era requerida “dependendo do porte da obra”. A falta de um documento complementar que definisse claramente o que se entendia por “porte da obra” e a falta de tempo hábil para esta definição, levou a comissão a optar pela eliminação deste trecho do texto.
A Abece montou uma comissão que está elaborando um documento sobre avaliação de conformidade do projeto. A ideia é abrir um amplo debate sobre este texto e torná-lo uma recomendação ou até mesmo um texto normativo.
Para Suely, “a comissão está ciente que o projeto estrutural é de vital importância para o sucesso e segurança das obras e que a verificação, que já é prática corrente em diversos países, contribui muito para o atendimento destes objetivos”.
A íntegra da NBR 6.118 tem 238 páginas e custa R$ 364. Para adquirir a norma, acesse o catálogo da ABNT.

