Mercado imobiliário cai e ameaça o crescimento da China
Texto: Redação AECweb/e-Construmarket
Fracos investimentos das vendas no varejo e dos empréstimos bancários em julho indica maior vulnerabilidade do país
14 de agosto de 2014 - A economia da China deu novos sinais de enfraquecimento em julho, apesar das medidas de estímulo do governo. Isso sugere que um maior apoio do governo poderá ser necessário para manter o crescimento no caminho, no momento em que há uma maior desaceleração da atividade imobiliária.
O crescimento inesperadamente fraco dos investimentos, das vendas no varejo e dos empréstimos bancários em julho indica maior vulnerabilidade da segunda maior economia do mundo.
A maior surpresa nos dados divulgados ontem veio dos dados de crédito e financiamento, que mostram que a quantidade de dinheiro fluindo para a China caiu em julho ao patamar mais baixo em quase seis anos, para 273,1 bilhões de yuans (US$ 44,34 bilhões), cerca de um sétimo do total de junho.
O banco central chinês minimizou a queda, dizendo que a redução dos empréstimos foi um recuo natural após a alta incomum de junho, mas admitiu que a demanda por crédito está caindo.
Para analistas, a queda excepcionalmente forte pode ainda ter sido causada pelas ações duras do governo contra os empréstimos de alto risco e financiamentos de commodities, após uma fraude ocorrida no porto de Qingdao.
Beneficiada por um fluxo constante de estímulos governamentais, a economia da China reagiu ligeiramente no segundo trimestre, mostrando um crescimento de 7,5% - dentro da meta anual do governo -, depois do crescimento de 7,4% do primeiro trimestre, o menor em 18 meses.
Mas, afetada por uma desaceleração do mercado imobiliário que vem tendo impacto no consumo interno, a economia parece estar engasgando novamente. Dúvidas quanto à sustentabilidade do crescimento surgiram na semana passada, quando pesquisas sobre o setor público mostraram uma fraqueza inesperada, ligada em grande parte à desaceleração do mercado imobiliário residencial.
Respondendo por cerca de 15% da economia chinesa, o setor de moradia vem titubeando neste ano, com a queda dos preços e das vendas, o que está levando muitos analistas a alertar que ele representa o maior risco ao crescimento do país como um todo.
Os dados divulgados ontem mostram uma maior desaceleração. As vendas de moradias caíram 16,3% em julho, em comparação ao mesmo período do ano passado, em termos de espaço físico, segundo mostram cálculos da Reuters. Isso representa um grande aumento em relação à queda anualizada de 0,2% registrada em junho.
A produção industrial cresceu 9% em julho, em relação ao mesmo mês de 2013, segundo informou a Agência Nacional de Estatísticas, um recuo em relação aos 9,2% de junho, mas ainda assim dentro das expectativas do mercado.
As vendas no varejo, uma medida importante do consumo, cresceram 12,2% em julho, perdendo um pouco de força em relação ao índice de junho, de 12,4%.
"Os números da atividade econômica estão no geral menores que as expectativas do mercado, especialmente os dados sobre os investimentos, o que se deve principalmente ao fraco desempenho do mercado imobiliário", disse Zhou Hao, economista da ANZ em Xangai. "Eu diria que o governo terá de relaxar mais suas politicas para apresentar uma taxa anual de crescimento de 7,5%."

