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Investimentos em logística reduzirão os custos daqui a três anos

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Os R$ 198,4 bilhões da nova etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL) representaram um aparente avanço para o escoamento da produção agropecuária

15 de junho de 2015 - Na prática, o impacto no bolso do produtor, estimado entre 30% e 34% em redução de custos, deve vir só em 2018. Além do volume de recursos anunciados pelo governo federal na última semana estar aquém do necessário, projeto não considera melhorias no sistema hidroviário do País.

O diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, órgão regido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), calcula que a redução nos custos do agricultor do Centro-Oeste deve chegar daqui a três anos, através da diminuição no frete. Para se ter uma ideia, a média de desembolso para levar a soja de Sorriso (MT) ao Porto de Santos (SP), em 2014, era de US$ 126 a tonelada. Caso a saída fosse por Miritituba (PA), o valor passaria a US$ 110.

"À medida que os portos que estão em construção forem concluídos, o reflexo positivo vai aumentando. Já temos as operações da Bunge e ADM [Archer Daniels Midland] ampliando capacidade, e com a finalização das obras na rodovia BR-163, o produtor começa a ver a redução de custo", diz o executivo.

No modal ferroviário, destaca-se a construção da Ferrovia Transcontinental, principal aposta do plano de concessões, que contará com investimento nacional na ordem de R$ 40 bilhões e participação da China. De acordo com o anúncio do embaixador do gigante asiático no Brasil, Li Jinzhang, a obra terá início em 2022 e irá até o Peru para facilitar o escoamento de grãos por intermédio dos portos peruanos.

Distorções

Anunciado na última semana pela presidente Dilma Rousseff, o plano de concessões trouxe soluções emergenciais às ferrovias, rodovias, portos e aeroportos, mas deixou de lado as hidrovias, que respondem por 9% do transporte da safra de grãos. Nos Estados Unidos - maior concorrente na exportação de commodities - o modal representa cerca de 49% do escoamento, segundo análise da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

"O governo percebeu que o transporte é fundamental para destravar os problemas produtivos, mas cabe lembrar que o programa aponta concessões para que a iniciativa privada faça o investimento. Onde as companhias não forem atuar, esperamos que venham aportes públicos, como para a navegação interna que ficou esquecida até o momento. Sem isso, continuaremos com o gargalo logístico", avalia a coordenadora de economia da CNT, Priscila Santiago.

Um levantamento da entidade, divulgado há pouco menos de um mês, mostra que o País precisa de pelo menos R$ 195,2 bilhões para melhorar o escoamento do setor agropecuário. Entretanto, dos R$ 198,4 bilhões apresentados no PIL, a especialista conta que apenas R$ 43,4 bilhões coincidem com as necessidades apontadas no estudo.

"Outro ponto que nos surpreendeu negativamente foi o fato do Matopiba [Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia], região considerada nossa nova fronteira agrícola, não ter sido considerada no plano. Ali, o benefício virá só nos portos, visto que há um grande déficit nas estradas, por exemplo", acrescenta a coordenadora.

As rodovias e portos foram os mais beneficiados pelo PIL.

Fonte: DCI
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