Incorporadoras fecham ano de 2021 com queda de lançamentos
Texto: Redação AECweb/e-Construmarket
Ao menos três incorporadoras apontam queda da economia como motivo principal para o declínio do setor

A velocidade na queda da venda de imóveis residenciais desde setembro, quando inflação e juros cresceram, é um dos principais motivos do declínio (Foto: Canadastock/Shutterstock)
06/01/2022 | 14:26 – Refletindo o cenário macroeconômico, algumas incorporadoras brasileiras divulgaram que fecharam o ano de 2021 sem cumprir o Valor Geral de Vendas (VGV) pretendido. Dentre os motivos para a mudança, está a velocidade na queda da venda de imóveis residenciais desde setembro, quando inflação e juros cresceram, bem como as incertezas relacionadas ao setor. Algumas dessas empresas apontaram que o declínio aconteceu, principalmente, nos imóveis destinados à classe média, aliado aos empecilhos para a contratação de financiamentos de longo prazo e custos elevados.
Dentre as incorporadoras afetadas, estão Tecnisa, EZTec e Tenda, que fecharam o ano de 2021 com um déficit em relação às metas traçadas para o biênio 2020-2021. O maior mercado imobiliário do país, o paulistano, também não apresenta expectativas muito positivas: os analistas, apesar de não acreditarem na possibilidade de faltar crédito imobiliário, esperam grande dificuldade para conciliar as parcelas e juros altos à renda dos compradores.
A Tecnisa, por exemplo, após uma série de revisões, balanços e reestruturações de projeções, atualizou as informações entregues à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O VGV do biênio 2020-2021 — que estava na faixa de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,5 bilhão — foi reajustado para R$ 1,1 bilhão. A justificativa foi de que as projeções foram revisadas por conta da “percepção da administração sobre seus negócios e a conjuntura da economia brasileira e do mercado imobiliário. As premissas consideradas para sua determinação estão sujeitas a fatores que escapam ao controle da administração, tais como alterações políticas, macroeconômicas e regulatórias, que podem afetar as condições do mercado e levar a revisão nas projeções”, completou a incorporadora.
A EZTec, por sua vez, apresentou alterações mais drásticas: o escopo de um VGV na faixa de R$ 4 bilhões a R$ 4,5 bilhões durante o biênio 2020-2021 não foi alcançado, e os lançamentos imobiliários da incorporadora chegaram a R$ 1,2 bilhão. No fechamento do ano de 2021, esse valor aumentou para R$ 1,9 bilhão. A declaração a partir desse momento, feita por Emilio Fugazza — o diretor financeiro e de relações com investidores da EZTec — foi de que “apesar dos projetos aprovados permitirem à incorporadora alcançar a meta estabelecida, os lançamentos só seriam feitos se a companhia sentisse bastante segurança em relação ao mercado”.
Sem meta formal de lançamentos, a Tenda não apresentou VGV pretendido, mas obteve rentabilidade inferior ao planejado, de acordo com o presidente Rodrigo Osmo. Os resultados acarretaram adiamento de lançamentos que não foram considerados rentáveis. A informação é de que a margem bruta de 2021 ficou entre 26% e 28%. A meta inicial do indicador era de 30% a 32%.
Especialistas indicam que o ano de 2022 será desafiador em relação à circunstância macroeconômica e esperam encolhimento do mercado imobiliário. A palavra-chave agora, para eles, é “cautela”.

