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Fabricantes de materiais de construção preveem mais um ano de vendas fracas

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Com a economia difícil e a confiança em baixa, os varejistas devem evitar estocagem e priorizar a geração de caixa

15 de janeiro de 2015 - Com a economia difícil e a confiança em baixa, a indústria de material de construção se prepara para mais um ano de estoques reduzidos no varejo. A perspectiva é que as vendas dos fabricantes sejam muito baixas em 2015.

"No ano passado, já observamos um movimento de desestocagem. Atualmente, o varejo não quer mais manter estoques, que custam caro", afirmou ao DCI o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover.

O executivo explica que, no final de 2014, os varejistas venderam o pouco de estoques que possuíam e esta é uma tendência. "Vai ser mais um ano da mão pra boca para os fabricantes", ressalta.

Para o grupo gaúcho Famastil, que produz ferramentas manuais, prateleiras de organização e carrinhos de mão, o varejo não deve se estocar em 2015, com a perspectiva de crescimento nulo da economia brasileira.

"A prioridade dos varejistas, neste ano, ainda será de preservação do caixa", diz o diretor de marketing da Famastil, Giuliano Tissot.

Ele conta que, em 2014, as empresas que comercializam materiais de construção reduziram drasticamente os estoques. "O pessimismo começou após a Copa e, desde então, as vendas da indústria estão muito baixas", pondera.

Tissot diz que a tendência de estoques superajustados persistirá. "Devemos ter um movimento de vendas baixas da indústria até 2016", avalia.

Incertezas

Para a fabricante de argamassas Weber, do grupo Saint-Gobain, os próximos dois anos serão difíceis para o setor.

"As vendas de material de construção no varejo estão bastante ligadas ao índice de confiança. E com o cenário incerto, projetamos um período difícil pela frente", afirma o diretor de marketing da Weber, Asier Amorena.

O executivo explica que o segmento imobiliário (construtoras) registrou queda significativa em 2014. No entanto, o varejo - que representa 90% das vendas da empresa - obteve melhor desempenho. "Este fator contribuiu muito para o nosso crescimento no ano passado", pondera Amorena.

Em 2014, a fabricante de argamassas cresceu 10%, para R$ 1 bilhão. A meta, neste ano, é crescer 8% nominalmente. Descontando a inflação, no entanto, o incremento pode chegar a apenas 2%.

"O mercado não deve crescer muito", prevê Amorena. Por esse motivo, o executivo explica que a Weber continuará com a sua estratégia de diversificação geográfica.

"Vamos apostar mais no Norte e Nordeste, e não só nas capitais, mas também nas outras grandes cidades da região", descreve Amorena.

Operando com cerca de 80% da capacidade instalada - o que a empresa considera normal -, o diretor da Weber acredita que ainda há muita demanda reprimida no País.

"Em regiões como Norte e Nordeste, o mercado ainda tem um alto potencial de expansão, por isso vamos investir R$ 50 milhões em 2015 para aumento de capacidade instalada", garante.

A gaúcha Famastil também apostará, neste ano, no Nordeste para evitar uma queda das vendas, diante do cenário atual. "Provavelmente, se não fosse a região, a queda seria inevitável", ressalta Tissot.

O executivo diz ainda que a marca de prateleiras e organização do grupo (Prat-K) terá um crescimento maior do que o de ferramentas e carrinhos de mão. "O mercado do 'faça você mesmo' está em franca expansão. Por isso, a perspectiva é de um incremento de até 13% para este ano", informa.

Para o presidente da Abramat, 2015 será de ligeiro incremento para a indústria. "Acreditamos em uma recuperação dos segmentos imobiliários, varejo e principalmente infraestrutura", diz Cover. "Não há mais como esperar pelos investimentos em obras públicas, o que deve impulsionar a demanda do setor", conclui.

Fonte: DCI
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