Expectativa de crescimento em 2015 para a indústria é zero
Texto: Redação AECweb/e-Construmarket
O setor se mantém estável, mas não cresce. Comparado a 2014 a queda será de 2% no emprego na indústria da construção
Diante do cenário econômico que se configurou até agora, o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, estimou que o desempenho da indústria da construção brasileira deverá se manter estável e não crescer em 2015, em comparação a 2014. A previsão foi feita em entrevista coletiva em 24 de novembro, realizada conjuntamente com o vice-presidente de Economia do sindicato, Eduardo Zaidan, e a coordenadora de projetos da construção da FGV, Ana Maria Castelo.
Segundo a avaliação do SindusCon-SP, os condicionantes positivos para a construção, na política econômica em 2015, deverão ser contrabalançados por fatores negativos. De um lado, o governo deverá se esforçar por recuperar a confiança dos investidores, buscando conter a inflação, impulsionando as obras de infraestrutura e contratando mais 350 mil unidades do Programa Minha Casa, Minha Vida no primeiro semestre.
Entretanto, o mercado imobiliário deverá prosseguir em fase de ajuste, a renda e o consumo das famílias deverão crescer menos e as contratações de obras relacionadas a novos investimentos deverão ocorrer com mais intensidade somente a partir do segundo semestre.
Com isso, na comparação com 2014, a entidade estima para 2015 crescimento zero no valor agregado das construtoras, queda de 2% no emprego na indústria da construção, declínio de 1,5% na produção de insumos do setor e queda no comércio desses materiais.
Para 2014, em comparação a 2013, a expectativa é de a indústria da construção fechar com crescimento entre 0% e 0,5% (anteriormente, estimava-se que seria possível crescer até 1%). O emprego deverá cair 0,3%, puxado pela queda no segmento imobiliário, de 1,5%. A queda na produção de materiais de construção será superior a 5%, e o comércio desses insumos terá crescimento nulo.
Obras públicas - Indagado sobre os possíveis impactos da operação Lava-Jato no setor, Ferraz Neto avaliou que no médio e longo prazos a investigação poderá “sanear o mercado”, trazendo mais recursos para o segmento de infraestrutura. Aliado a isso, existem muitas empresas preparadas para fazer essas obras e que estão atuando timidamente no mercado, ressaltou o presidente.
Para Zaidan, o Estado de São Paulo, principalmente, tem inúmeras outras obras de vulto que estão fora do escopo da Lava-Jato. “Temos as obras do Metrô, de saneamento básico, além das relacionadas à construção de moradias populares no âmbito Estadual e Municipal”, afirmou. Segundo ele, o nível de investimento público em infraestrutura tem permanecido estável nos últimos anos, e não deve ficar distante de 2,2% a 2,3% do PIB. “Isso não deve oscilar muito, apesar de esperarmos um ajuste fiscal severo em 2015”, acrescentou.

