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Evento SindusCon-SP marca os dois anos em vigor da NBR 15.575

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Apesar do crescimento da construção, ainda existem obstáculos no caminho da Norma de Desempenho

Sinduscon

Superadas as dificuldades iniciais para sua implantação, é nítido que a NBR 15.575 (Edificações habitacionais – Desempenho) já promoveu mudanças marcantes entre as construtoras e incorporadoras de todo o país nos últimos dois anos. E isso pode ser atribuído ao engajamento de todas as pontas da cadeia construtiva. Essa é a análise de Jorge Batlouni, vice-presidente de Tecnologia, Qualidade e Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) na abertura do seminário “Norma de Desempenho: de 2013 a 2015 – avanços e necessidades para a implantação plena”, realizado SP na última quinta-feira (18) e que reuniu quase 400 pessoas.

Para o presidente do sindicato, José Romeu Ferraz Neto, não há dúvidas de que a cadeia produtiva da construção deu um salto de qualidade. “Já não temos somente normas meramente prescritivas, em que a preocupação se situa na qualidade dos materiais. Nosso foco agora é o desempenho das edificações residenciais ao longo de sua vida útil”, afirmou. O tema, porém, ainda exige alguns ajustes, observou Ferraz Neto. “Gostaria de pontuar algumas providências para avançarmos: os fabricantes precisam realizar mais ensaios, os projetistas precisam se envolver mais nos preceitos da norma, as construtoras devem exigir firmemente os laudos dos ensaios realizados nos produtos e nos sistemas, bem como trabalhar com mais intensidade o pós venda.”

Francisco Vasconcellos, vice-presidente do SindusCon-SP, reforçou a importância da atuação do SindusCon-SP pela melhoria da qualidade de suas obras, que tem se consolidado através do CTQ por três pilares: inovação, desempenho e sustentabilidade.

Ao apresentar um panorama geral do mercado brasileiro quanto à implantação da Norma, Batlouni destacou a mobilização e empenho de todos para entender os requisitos básicos que estavam sendo exigidos. “Nos últimos dois anos o setor tem aprendido a trabalhar com os conceitos do desempenho e os projetistas e construtoras estão buscando, gradativamente, atender os requisitos da norma nos edifícios residenciais.”

Para Maria Angelica Covelo Silva, diretora da NGI Consultoria e Desenvolvimento e coordenadora técnica do seminário, apesar dos avanços, o entendimento correto da norma em todos os seus requisitos ainda é falho. Outra questão problemática, segundo ela, é a formação de especialistas que consigam interpretar os resultados desses ensaios.

Iniciativas para HIS e componentes – Dentro do painel “Iniciativas e ações para viabilizar a implantação da Norma”, Geraldo Collares, apresentou o caderno prático desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Normas da Regional do Rio Grande do Sul da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea-RS), com orientações ao projeto de arquitetura para atendimento à norma.

As especificações adotadas nos projetos de Habitação de Interesse Social (HIS) foram abordadas pelo mestre e doutor em engenharia Orestes Gonçalves, que coordena o Comitê Técnico de Apoio ao Ministério das Cidades para implantação da NBR 15.575 nos programas do governo. “Está previsto para o fim de julho a realização de um seminário para o lançamento de um catálogo de orientações para a implantação de normas técnicas para o HIS”, anunciou Gonçalves. O painel também contou com as participações de Maria Angelica e Luciani Somensi Lorenzi, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).

Ensaios e avaliações – Os avanços e problemas ainda enfrentados pelos fabricantes foi abordado no painel “subsistemas construtivos e componentes caracterizados por ensaios e avaliações segundo os requisitos da Norma de Desempenho”. O pesquisador do Centro Tecnológico do Ambiente Construído (Cetac) do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), Ercio Thomaz, ressalta que o principal desafio do setor é se organizar. “Hoje temos 30% do que se precisa. Os outros 70% vão levar mais 12 anos para a consolidação. O papel das associações de classe junto ao cumprimento da norma é fundamental.”

Participaram das discussões o gerente técnico da Cerâmica Portobello, Luiz Henrique Manetti, o gerente executivo da Associação Drywall, Luiz Antonio Martins, o gerente nacional do Programa Setorial de Qualidade - Esquadrias de Alumínio da Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal), Edson Fernandes, e o técnico do Comitê de Portas da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Roberto Pimentel Lopes.

Futuro – No período da tarde, os debates se concentraram nos próximos passos. O painel “Lacunas e necessidades a vencer para viabilizar a implantação plena da norma” reuniu representantes de quatro construtoras: o gerente da Cyrela, Alexandre Britez, o gerente da Tecnisa, Maurício Bernardes, o gerente da Rossi, Marcelo Nogueira, e o coordenador da construtora Tarjab, Leandro Francischetti. O grupo apresentou os resultados do trabalho conjunto iniciado por eles para a implantação da norma em suas empresas.

Francischetti destaca que ao trabalhar em conjunto o grupo ganhou em agilidade na reunião de informações e maior número de resultados de ensaios e profundidade. “Em conjunto fica mais fácil diagnosticar os problemas e pensar em uma solução.”

Padronização – Entre os pontos que ainda precisam ser melhorados está a criação de parâmetros únicos para a realização de ensaios.

Para o diretor do Cetac, Fulvio Vittorino, o setor ainda precisa melhorar com relação na padronização de parâmetros para a realização de ensaios. “A análise de dois especialistas mostraram que apenas 10% dos ensaios apresentados são aceitos. Muitos são inconsistentes, apresentam descrição insuficiente. Nos resultados gerais, a maior parte é descartada, por erros de apresentação dos resultados (descrição imprecisa ou incompleta) e método.”

Vittorino palestrou sobre as lacunas de caracterização de desempenho de subsistemas e componentes para atendimento da norma e ressaltou a necessidade de qualificação para fornecedores de ensaios.

Balanço – Encerrando o evento, o coordenador da Comissão de Estudos da Norma de Desempenho e membro do CTQ e do Comasp do SindusCon-SP, Fabio Villas Bôas, apresentou os avanços e mudanças já realizadas nos projetos de arquitetura para atender a norma.

Para Villas Bôas, empresas já têm especificado os parâmetros de avaliação e especificações da norma em seus catálogos. “Mas essas iniciativas não representam a realidade do mercado”, ponderou. Alguns setores, como o de marmorarias, ainda não estão enquadrados.

O debate final sobre o tema contou com a moderação do vice-presidente de Relações Institucionais do SindusCon-SP, Maurício Bianchi, e a participação da gerente de consultoria da PriceWatherhouseCoopers e representante da Asbea, Barbara Kelch Monteiro, e do diretor da construtora Tarjab e vice-presidente do Secovi-SP, Carlos Alberto de Moraes Borges.

Fonte: Sinduscon-SP
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