Estudo relaciona saneamento básico à qualidade de vida da mulher
Texto: Redação AECweb/e-Construmarket
Pesquisa realizada com base em dados oficiais do IBGE aponta que a carência dos serviços de água e esgoto reforça desigualdade de gênero no Brasil

De acordo com o estudo, a universalização dos serviços de água e esgoto tiraria, imediatamente, 635 mil mulheres da pobreza (Créditos: Tiago Corrêa/Câmara Municipal de Manaus)
26/10/2018 | 16:33 - Uma em cada quatro mulheres no país, ou seja, 27 milhões, não tem acesso adequado a infraestrutura sanitária e saneamento. Os dados constam do estudo O Saneamento e a Vida da Mulher Brasileira, baseado em dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos ministérios da Saúde, da Educação e de Cidades.
Segundo a pesquisa, a universalização dos serviços de água e esgoto tiraria, imediatamente, 635 mil mulheres da pobreza, já que a carência destes recursos influencia as desigualdades de gêneros, prejudicando a saúde, o acesso à educação e à renda, além do bem-estar dessas brasileiras.
Na idade escolar, as meninas sem acesso a sanitários apresentam desempenho estudantil pior, com, em média, 46 pontos a menos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em comparação com a média dos estudantes brasileiros. Além disso, a falta de saneamento é uma das principais causas de incidência de doenças diarreicas, que levam as mulheres a se afastarem, em média, por 3,5 dias ao ano de atividades rotineiras, como escola ou trabalho.
Isto porque, em razão dos aspectos familiares no Brasil, o afastamento das mulheres é mais frequente que o dos homens, por serem elas as cuidadoras dos filhos ou pais idosos que adoecem.
A pesquisa também mostra que 1,5 milhão de mulheres não têm banheiro em casa, e que essas brasileiras têm renda 73,5% menor em relação às trabalhadoras com banheiro em casa. O acesso ao saneamento traria um acréscimo médio de R$ 321,03 ao ano para cada uma dessas mulheres, o que corresponderia a um ganho total de mais de R$ 12 bilhões ao ano à economia do país.
“A perda da renda pode ser diretamente – no caso de uma diarista que se não vai trabalhar não recebe –, mas pode ser indireta – tendo doenças recorrentes [a mulher] se afasta mais do trabalho e progride menos na carreira”, disse o economista Fernando Garcia, coordenador da pesquisa.
Ainda de acordo com o estudo, o Brasil precisaria investir R$ 20 bilhões ao ano para alcançar a meta do Plano Nacional de Saneamento Básico, lançado em 2013. O país investiu 11 bilhões no setor, em 2016. A meta prevê universalizar o acesso adequado aos serviços de água e esgoto até 2033.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a BRK Ambiental e apoio do Pacto Global.

