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Devido ao aumento de juros, construtoras focam no segmento de luxo

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

A estratégia surgiu como uma forma de combater os impactos das elevações na Selic, inflação, desemprego e reflexos do cenário eleitoral

mansão iluminada e com piscina a frente
A economia do setor tem buscado novas estratégias para lidar com as incertezas (Foto: Alexander Steamaze/Shutterstock)

28/01/2022 | 16:23 –O setor da construção civil foi um dos maiores afetados pela alta dos juros em 2022. As ofertas de imóveis para baixa renda, a maior aposta das construtoras nos últimos tempos, tornaram-se um negócio arriscado e fizeram com que o segmento de imóveis de luxo voltasse às prioridades das empresas.

A economia do setor, que prevê a taxa Selic em 11,75% ao ano, tem buscado repensar as estratégias para lidar com as incertezas, de acordo com o coordenador do curso de Negócios Imobiliários da Fundação Getulio Vargas (FGV), Alberto Ajzental.

Além da Selic, as oscilações recentes nas taxas de juros são prejudiciais aos possíveis acordos na construção civil. Ajzental conta que, no pior período — o mais recente, de agosto de 2015 a setembro de 2016 — o juro real era de 8%. Entre setembro de 2020 e março de 2021, ele chegou a -4%. Atualmente, é de 6,39% — com estimativa de 11,75% ainda em 2022.

De acordo com o exemplo dado por Ajzental, um apartamento de dois dormitórios no valor de R$ 250 mil tem um valor total coberto por linha de crédito de até 80%, ou seja, R$ 200 mil. Considerando que, a cada 2,3 pontos percentuais de elevação no juro básico da economia, há elevação de 1% no custo efetivo final do imóvel financiado, o resultado indica a retirada, automaticamente, de 1 milhão de famílias da chamada demanda qualificada, ou seja, quando está propensa a comprar.

Caso a estimativa de juros a 11,75% em 2022 se comprove, cerca de 2,5 milhões de famílias de menor renda deixarão de fazer parte do alvo dos futuros lançamentos imobiliários. “Pequenas variações na taxa de juro colocam muitos números a mais nas parcelas. Pesa sobre os prazos alongados e os volumes de capital envolvidos. Vivenciamos o processo contrário de tudo que foi feito para melhorar o acesso do cidadão médio ao mercado imobiliário no país”, explica.

Essas mudanças têm impacto diferente no segmento de imóveis de alto padrão, que tende a surtir menor efeito, de acordo com Marcelo Guedes, diretor superintendente de Incorporações da Melnick.

Ele conta que esse perfil de cliente utiliza menores volumes de créditos e se protege melhor da inflação e que, em 2021, sua construtora entregou 11 lançamentos, no maior desempenho de sua história, com valor geral de vendas superior a R$ 1 bilhão.

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