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Dados do Banco Central mostram razões para os juros altos no Brasil

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

41% do crédito direcionado vem das operações com o BNDES; 35% é imobiliário e a agricultura participa com 15%

10 de outubro de 2014 - Do saldo total das operações de crédito em agosto, de R$ 2,86 trilhões, equivalente a 56,8% do PIB, R$ 1,52 trilhão corresponde a operações com recursos livres e R$ 1,34 trilhão é de crédito direcionado. Esses são os dados mais recentes do Banco Central sobre crédito, relativos ao mês de agosto. A participação do crédito livre no total é de 53,1% e o obrigatório ou direcionado, de 46,55%.

No primeiro grupo estão os clientes, pessoas físicas e jurídicas que contratam empréstimos com recursos que os bancos captam no mercado. Para eles, os juros médios são de 32,2% ao ano e o spread - a margem dada pela diferença entre o que os bancos pagam para o investidor e cobram do tomador - é de 11,2%.

No segundo grupo estão as empresas e pessoas físicas com acesso ao BNDES, aos financiamentos agrícolas e ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Para eles os juros médios são de 8% ao ano e o spread, 2,8%.

Importante ressaltar que 41% do crédito direcionado vem das operações com o BNDES; 35% é imobiliário e a agricultura participa com 15%. Os recursos para o crédito direcionado são fiscais, parafiscais (FGTS, FAT), dos depósitos em poupança (que financiam a habitação) e dos depósitos à vista (para a agricultura).

O BNDES, que antes era alimentado prioritariamente pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), tomou impulso com recursos do endividamento do Tesouro que, sobretudo de 2009 para cá, repassou R$ 451 bilhões ao banco estatal. Mais R$ 5 bilhões está tramitando em medida provisória no Congresso Nacional para o banco de fomento este ano.

O Tesouro emite papéis à taxa Selic (11% ao ano) e o BNDES empresta às empresas com base na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 5% ao ano. A diferença representa subsídios do Tesouro, estimados em R$ 30 bilhões por ano. A maior parte desses subsídios não consta do Orçamento da União, correm à parte dos gastos primários e à revelia do Congresso, a quem cabe discutir e aprovar o Orçamento.

Metade das operações de crédito no Brasil não obedece à taxa básica de juros (Selic) e, portanto, não está sujeita aos efeitos da política monetária do Banco Central. Os juros atuam somente sobre o crédito livre.

O que significa dizer que parte importante das carteiras dos bancos estatais está fora do alcance das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). São regidas por taxas fixas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN

O resultado desse modelo é que para combater a inflação com a taxa de juros, conforme o regime de metas para a inflação, o esforço do Banco Central tem que ser redobrado. E quem paga a conta dos juros elevados são aqueles que não têm acesso ao BNDES, ao crédito agrícola do Banco do Brasil ou ao financiamento imobiliário da Caixa.

Continue lendo: http://www.valor.com.br/brasil/3729840/razoes-para-os-juros-altos-no-brasil

Fonte: Valor econômico
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