Crescimento de serviços passa carteira de crédito no Bradesco
Texto: Redação AECweb/e-Construmarket
O crescimento dos empréstimos no varejo foi impulsionado pelo financiamento imobiliário, que teve alta de 33%, fechando o trimestre em R$ 16,7 bilhões
31 de outubro de 2014 - Balanço do Bradesco divulgado ontem apontou que o crescimento da receita com taxas e tarifas de serviços ancorou os resultados do banco e superou a evolução os ganhos da carteira de crédito no terceiro trimestre de 2014.
Segundo o documento, a margem financeira bruta de crédito do banco - diferença entre os juros pagos na captação e os juros cobrados no empréstimo, que mede os ganhos da carteira - registou alta de 5,8%, passando de R$ 7,79 bilhões para R$ 8,24 bilhões do terceiro trimestre de 2013 para o terceiro trimestre do ano corrente.
A receita com prestação de serviços, por sua vez, teve uma alta de 11,6% no período saltando de R$ 4,97 bilhões para R$ 5,63 bilhões.
O Bradesco registrou lucro líquido contábil - valor considerado para calcular a distribuição de dividendos - de R$ 3,87 bilhões no terceiro trimestre de 2014. O resultado é 2,5% maior que o registrado no trimestre anterior, e de 26,5% em relação ao mesmo período de 2013. No lucro ajustado, o resultado foi de R$ 3,95 bilhões, aumento de 28,2% na comparação com o terceiro trimestre de 2013.
O próprio Bradesco sinalizou que deve continuar contando com as tarifas e taxas de serviço para impulsionar seu crescimento. Em conferência realizada ontem com a imprensa, o diretor executivo adjunto do banco, Moacir Nachbar, informou que a instituição revisou para baixo a previsão de crescimento de crédito para o ano, passando de 10% a 14% para 7% a 11%, enquanto o guidance - projeção - de serviços foi revisado para cima, saltando de 9% a 13% para 11% a 14%.
De acordo com ele, o foco do Bradesco está no ganho com escala, em detrimento da precificação. A ideia é trazer mais clientes para o banco e aumentar a receita.
Em matéria publicada pelo DCI na terça-feira, analista estimaram que, não apenas o Bradesco, mas todos os grandes bancos devem apresentar o setor de serviços alavancando o crescimento das instituições neste ano. Para os especialistas, entretanto, a estratégia não é sustentável em longo prazo e os ganhos da área devem começar a apresentar desaceleração a partir de 2015.
Resultados
De acordo com o balanço, os serviços que apresentaram maior volume de recursos movimentados, puxando as receitas do setor, foram cartão de crédito, com geração de R$ 2,02 bilhões de ganhos (alta de 13,8% em relação a 2013), e conta corrente, que movimentou R$ 1,02 bilhões (alta de 10,8%).
No crescimento percentual, se destacaram a evolução das taxas de administração de consórcio, que registrou alta de 21,7%, e assessoria financeira, com alta de 24,3%.
Na avaliação João Augusto Salles, economista da consultoria Lopes Filho & Associados, a oferta de serviços nos grandes bancos de varejo, como o Bradesco, são uma forma da instituição complementar a margem de crédito, que apresentou desaceleração por conta do momento econômico.
"Os bancos sabem que a carteira (de crédito) não está em um patamar adequado. Então, eles buscam uma sinergia operacional: quando realizam um empréstimo, empurram outro produto para o cliente", analisou Salles.
O economista explicou que, por ter uma ampla base de clientes, essa é uma estratégia que funciona nos grandes bancos varejistas.
Segundo Marcos Sarmento Mello, professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e sócio-gerente Valorum Gestão Empresarial, o interesse do banco em aumentar a participação dos serviços no resultado é justamente expandir mercado para aumentar a captação.
"É uma estratégia de ganhos de escala, para aumentar a base de clientes. É bem provável que o serviço continue crescendo mais que o crédito por um tempo", avaliou.
Insustentável
Atualmente, os serviços estão à frente do crédito no share da composição de resultados do Bradesco: enquanto o crédito tem participação de 27% na carteira, os serviços estão com uma fatia de 29%.
Para os especialistas, entretanto, em médio e longo prazo, quando os custos marginais dos serviços - quanto o banco gasta para aumentar a participação do setor nos resultados - superar a receita gerada pela carteira, o crescimento ancorado em serviços se tornará insustentável.
"O esforço para ganhar mais participação de mercado começa a ficar cada vez mais custoso e cada ponto de participação começa a ficar mais caro", explicou Mello.
Salles disse que a taxa de crescimento de serviços já atingiu seu limite, deve começar a se acomodar e, logo, desacelerar. "Em 2015, vai estar em 10% e depois deve cair para 7% e 8%", ponderou.
Carteira de Crédito
O estoque de crédito do Bradesco - quantidade de recursos emprestados - apresentou evolução de 7,7% em 12 meses, saltando de R$ 412,55 bilhões para R$ 444,19 bilhões. O crescimento dos empréstimos no varejo foi impulsionado pelo financiamento imobiliário, que teve alta de 33%, fechando o trimestre em R$ 16,7 bilhões.
No caso do crédito para pessoa jurídica, os empréstimos para grandes empresas puxaram a alta de 7,2% na carteira. As micro, pequenas e médias empresas registraram aumento tímido, de 2,7%, fechando o trimestre com saldo de 113,35 bilhões, ante a alta de 10,1% das firmas de grande porte, que estão com estoque de R$ 192,81 bilhões.
Nachbar afirmou que a expectativa do banco em relação ao crédito está refletida na revisão do guidance. O Bradesco, contudo, espera que, passado o "período confuso", que envolveu a Copa e as Eleições, o último trimestre apresente um aquecimento no mercado de crédito brasileiro. "A gente espera que o mercado volte a agir normalmente e para que possamos entregar a projeção apresentada", ressaltou.
Os especialistas estimaram que a seletividade de empréstimos deve ser mantida e tanto a oferta quando a demanda devem permanecer contidas.

