Aumenta a procura por imóveis de dois dormitórios em março
Texto: Redação AECweb/e-Construmarket
Empresas optaram pelo lançamento desse tipo de produto, considerado o mais tradicional no setor e de boa aderência ao mercado
No mês de março foram lançadas 773 unidades residenciais no município de São Paulo, conforme dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), das quais 541 (70%) de 2 dormitórios, 163 (21%) de 3 dormitórios, 37 (5%) de 1 dormitório e 32 (4%) com 4 ou mais dormitórios.
Nos lançamentos de 2 dormitórios, os preços variaram desde unidades econômicas até as de alto padrão, mas houve uma predominância de imóveis mais baratos, sendo que 53% do total lançado apresentaram preços de até R$ 350 mil.
Na comparação entre o volume de unidades lançadas em março com o do mês de fevereiro (872 imóveis novos), houve redução de 11,4%. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a retração foi de 72,3% (2.795 unidades no terceiro mês de 2014). Esse comportamento era esperado, pois a tendência é de as empresas incorporadoras concentrarem esforços na comercialização dos empreendimentos lançados anteriormente.
Vendas – No mês de março, as vendas foram melhores do que em fevereiro, com aumento de 73,1%. Foram 1.267 unidades comercializadas contra as 732 unidades de fevereiro. Tal desempenho deve-se ao efeito sazonal de um mês com menos dias úteis. Porém, comparando o volume de vendas de março com o do mesmo mês de 2014 (1.744 vendas), houve queda de 27,4%.
O VGV (Valor Global de Vendas) de março foi de R$ 672,8 milhões e as unidades vendidas tiveram valor médio de R$ 531 mil.
Acumulado – No trimestre, foram lançadas 2.191 unidades no município de São Paulo, o que representa uma redução de 50,4% em comparação com as 4.491 unidades lançadas em igual período de 2014. As vendas de 2.736 unidades representaram uma queda de 27,1% em relação ao mesmo período do ano passado, ocasião em que foram comercializadas 3.755 unidades residenciais. Nesse cenário, as empresas estão trabalhando para equilibrar a oferta do mercado.
Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) – Nas cidades da Região Metropolitana, exceto o município de São Paulo, foram lançadas 1.696 unidades residenciais, de acordo com a Embraesp, o que representa uma variação de 431,7% em relação a fevereiro de 2015, quando houve o lançamento de 319 unidades. Se a comparação for com março de 2014 (1.353 unidades lançadas), o aumento é de 25,4%.
As vendas apresentaram o crescimento de 193,8% em relação ao mês de fevereiro: 1.428 unidades comercializadas em março contra as 486 do mês anterior. Já em comparação com o mesmo período de 2014 (1.449 unidades vendidas), verifica-se a queda de 1,4%. A somatória das vendas dos municípios vizinhos foi 12,7% maior do que a da Capital, o que demonstra que o mercado no entorno apresenta bom desempenho e que isso pode ser explicado, em parte, pelo ticket médio praticado de R$ 349 mil, valor bem abaixo da média da cidade de São Paulo.
No trimestre, a RMSP comercializou mais que do lançou: foram 2.506 unidades vendidas contra 2.183 lançadas.
Falta de crédito - Passado o efeito sazonal do início do ano, o mercado imobiliário apresentou reação de vendas no mês de março em relação a fevereiro, mas ainda está aquém do ano passado. Notícias nada animadoras da economia colaboram para aumentar a desconfiança dos consumidores e dos empresários, aliadas aos sucessivos anúncios de aumento da taxa de juros e das dificuldades para obter financiamento à produção. “O governo federal precisa, rapidamente, estudar a adoção de medidas garantidoras da manutenção dos recursos para o crédito imobiliário. Caso contrário, o setor vai paralisar. Mudanças legais, aumento das taxas de juros e redução dos recursos de financiamentos, além da crise político-econômica, poderão colocar o setor em sérias dificuldades e, pela sua importância, gerar graves consequências para o País. Os avanços conquistados em pouco mais de uma década serão perdidos e voltaremos às condições da década de 1990”, diz Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP.

