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Como comprar a peça certa para equipamentos de construção

Saiba o que considerar na hora de escolher a peça ou componente para o equipamento de construção e quando optar por itens originais ou paralelos

Publicado em: 31/08/2015Atualizado em: 14/12/2022

Texto: Redação PE

Para comprar peças e componentes, é preciso bom senso. A recomendação para o uso dos itens originais é unânime. Assim como no seu carro, se procura seguir à risca a substituição de peças genuínas. Mas como nem tudo acontece como planejado peças do mercado paralelo atendem às necessidades de aplicação com durabilidade inferior à da original. Isso eleva sensivelmente a procura.

“Eu compro peças originais e paralelas, conforme a aplicabilidade”, conta o diretor da Luna Transportes e Locações, José Antonio Spinassé, explicando que esse é um procedimento comum e consciente no mercado. “As peças de boa procedência do mercado paralelo atendem muito bem as necessidades de aplicação. Se um pneu dessa procedência tende a rodar 20% a menos que um original, o custo/ benefício compensa para minha empresa. Quem tem condições de apenas pneus originais, ótimo, deve investir nisso. Mas quando não é possível, compre um com boas condições de atender às exigências, mesmo com durabilidade um pouco menor”, diz.

Itens de segurança de primeira linha

Para algumas peças de segurança, Spinassé adota como regra utilizar apenas itens originais e de primeira linha, como na montagem de um diferencial, por exemplo. “A regra é colocar rolamentos genuínos de acordo com as especificações de qualidade”, informa.

Existem centenas de revendas espalhadas por todo o país, especializadas em várias marcas, segmentos de aplicação e tipo de peças, principalmente para equipamentos de montadoras estabelecidas há muito tempo no Brasil, como Caterpillar, Komatsu, Case, New Holland, Volvo, Scania, Volkswagen, Iveco, entre outras.

É inviável produzir todos os itens na fábrica, o caminho é homologar empresas locais para produzir determinados itens. A Komatsu, por exemplo, fabrica a maioria das peças dos equipamentos da marca, como transmissão, bombas hidráulicas, os comandos hidráulicos. Alguns itens padronizados no mercado, como é o caso dos anéis de vedação, inviáveis de serem fabricados internamente, são produzidos por empresa homologada que segue uma série de especificações, pressões exigidas, carga de trabalho, temperatura a suportar.

“Quando a empresa seleciona um fabricante desse componente, ela já determina quais características o produto deve ter”, informa Agnaldo Lopes, vice-presidente de vendas e marketing da Komatsu. A regra é que esse fornecedor utilize um material com melhor durabilidade, apropriada às condições que o equipamento vai trabalhar.

Os revezes entre preço e qualidade dos componentes

De acordo com Agnaldo, a diferença de preço é ditada pela qualidade do produto utilizado na matéria prima de determinado item. Quando se pensa na composição, entra em questão os padrões da marca e durabilidade para suportar as condições de trabalho, durante o período informado pelo fabricante.

Por isso, Agnaldo acredita que é uma falsa ilusão dizer que peça genuína é cara. Ela tem o valor calculado pelo material e processo utilizados. Quando se vê uma peça não fornecida pela concessionária autorizada, ela tem as mesmas dimensões, mas visualmente é impossível identificar a composição química do material, as tolerâncias, entre outros aspectos que só laboratórios analisam. Isso faz considerável diferença no custo da peça.

“O compromisso do fabricante e da concessionária é diferente ao do mercado alternativo. Eles não tem os mesmos comprometimentos com a qualidade do fabricante, mas sim, oferecem uma opção de preço mais baixo”, critica o vice-presidente da Komatsu.

Spinassé, da Luna Transportes, tem percebido que embora haja custo de projeto, aço, tecnologia, não é só a diferença do material, mas sim o modelo e a marca do equipamento em que determinado componente é aplicado. Isso causa diferenças de ofertas. “Quem tem equipamentos de várias marcas na frota sabe bem a disparidade dos preços dos mesmos itens originais, que mudam conforme a prateleira que ocupam”, rebate.

Ele conta que ficou perplexo ao orçar uma bomba d’água que custava 300,00 reais em uma loja e 600,00 reais em outra. O valor do produto variava conforme a marca do equipamento. “Isso no segmento de peças originais”, ressalta. “Para uma compra ideal é preciso pesquisar com calma e verificar se a numeração da peça é condizente com a aplicação. Até filtros de reposição, da mesma marca e modelo, muitas vezes sofrem com essa variação inflacionada”, orienta Spinassé.

“Um rolete superior de material rodante geralmente custa menos que um rolete inferior. Mas já vi um rolete superior custando 40% mais caro que um inferior. São absurdos que precisam ser revistos pelos dealers nas precificações, seria o mesmo que o valor de um pneu de automóvel ser superior ao de um caminhão”, compara.

Peças paralelas com qualidade reconhecida mundialmente

De acordo com José Antonio Tomaz, vendedor da Ferquin, o mercado paralelo conta com marcas e produtos de qualidade irrefutável, como Berco, ITM, Landroni, Metal Leve, ZF, Pim Palmares. Elas oferecem garantias e departamento de atendimento ao cliente. “Um kit de motor da marca Metal Leve ou um rolamento SKF têm histórico de confiabilidade”, ressalta José Antonio.


Ele conta que muitos clientes encontram as mesmas peças na prateleira dos dealers e nas lojas revendedoras com preços diferentes, sendo que nem sempre é mais caro. “O distribuidor autorizado consegue comprar grande quantidade de um mesmo item, chegando a um preço competitivo na compra e venda”, explica.

Entre as marcas comercializadas na Ferquin destaca-se a Metisa, antiga fornecedora de peças da Caterpillar. “Muitas empresas do mercado de peças paralelas já foram fornecedoras homologadas por fabricantes estabelecidos no Brasil”, argumenta José Antonio.

As patentes da Komatsu são registradas fora do Brasil e algumas metalúrgicas brasileiras fazem cópia das peças. No passado, a empresa teve alguns fornecedores homologados no Brasil, na época em que fabricava o trator de esteiras D50. Quando era preciso mudar de fornecedor, não era viável para quem fornecia anteriormente continuar produzindo com a mesma qualidade porque perdeu o volume de saída das peças, tanto para a linha de montagem como para o pós-venda.

“Com isso, ocorria o barateamento do custo com a introdução de material de qualidade inferior, já que não havia mais a participação do fabricante do equipamento testando a qualidade das peças”, revela Agnaldo.

Vendas online de peças avançam

A tendência de compras pela internet é um incentivo para gerar facilidades para o mercado. A Parthners Services, unidade da CNH que fornece peças para as marcas Case (construção e agrícola), New Holland (construção e agrícola) e Iveco, vai lançar no mês de setembro um novo site para a venda de peças do grupo.

“Utilizamos a internet para divulgar o preço público sugerido. Isso deixa o cliente confortável com os preços praticados pelos dealers da marca”, informa Gustavo Hollatz, da CNH. “O ciente entra no site, escolhe a peça que precisa, coloca no carrinho de compra, e o pedido é registrado e encaminhado para a concessionária mais próxima”, descreve.

Gustavo informa que a unidade de fornecimento de peças na CNH pratica modalidades de venda balcão, oficina e internet. Em todas, as peças são genuínas e nas vendas online devem ser retiradas na loja e a cobertura da garantia é de três meses, podendo chegar a um ano, caso a concessionária faça a substituição da peça no equipamento.

“São cerca de 177 mil tipos de peças, somando-se em milhões de quantidades de itens, mas nem todos os tipos estão no site, apenas os de maior procura”, conta Gustavo, destacando que a procura por peças genuínas está em alta, mesmo com a crise. Segundo ele, a unidade de negócios encerrou o primeiro semestre de 2015 favorável.

Colaboraram para esta matéria


José Antonio Spinassé – Diretor da Luna Transportes e Locações

Agnaldo Lopes – Vice-presidente de vendas e marketing da Komatsu

José Antonio Tomaz – Vendedor da Ferquin

Gustavo Hollatz – Especialista de Marketing da CNH